O FEITO DE MARTIM MONIZ

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Lisboa. Portugal. Fevereiro de 2017.

Fiquei tanto tempo dentro do Castelo São Jorge que, quando desço pelas ruelas sinuosas procurando meu hotel, é noite, e acabo me perdendo. Peço informações a um guarda muçulmano, mas ele nem responde, distraído enquanto ajeita seu turbante na cabeça. As luzes amareladas criam sombras de formas sinistras nas antigas paredes de pedra. Após mais uma curva, vejo um grande portão entreaberto, dando acesso ao castelo. Em seguida, sons de passos pesados. Um cavaleiro cristão sobe correndo uma ladeira numa velocidade nunca antes vista em uma esteira de academia e se joga na fresta do portão antes que o guarda dorminhoco possa fechá-lo completamente. Entalado, o bravo cavaleiro recebe flechadas até a morte, assegurando seu heroísmo, pois, por esta fresta, todo um exército cristão retoma Lisboa, à quase mil anos atrás. A moça que tentava ler no escuro tem tempo de perguntar o home do herói. Ele diz que se chama Martim Moniz.

A.C.M.

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ORADOUR-SUR-GLANE

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Oradour-sur-Glane. França. Dezembro de 2015.

O padeiro, o mecânico e a dona de casa gritam nesse dia frio e silencioso de dezembro. Era junho de 1944 quando alguns alemães não atentaram para o fato de que não havia necessidade de incendiar o vilarejo de Oradour-sur-Glane. E o incêndio parece durar até hoje, representado na ferrugem dos carros antigos, nas placas chamuscadas de barbearias e escolas, no vazio denunciador das ruas desoladas, nas casas, no mercado, na igreja. Já na iminência da liberação francesa, talvez o ódio tenha motivado os soldados perdedores. Talvez seja melhor mesmo lembrar do que somos capazes. 

A.C.M.

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