O DUELO DE SAINT-MALO

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Saint-Malo. França. Abril de 2017.

Não foi aqui no Fort-Royal que aconteceu? pergunto a Robert, que passa andando apressado. Surcouf! diz ele, Surcouf! Me apoio nas muralhas que dão vista para a silhueta de Saint-Malo. Ele resolve dar um tempo na frente da minha garrafa de vinho e eu o ouço se gabar: Tava eu, Mainville e Brisebarre naquela pocilga do Café Joseph. Eles que entraram eram doze, prussianos filhos da puta! Batiam as esporas, latiam em alemão. Só esperei um deles esbarrar em mim pra iniciar o fogaréu. Desafiei todos os doze para um duelo. Cortei o pulso do primeiro. Feri o segundo e o terceiro com a mesma desenvoltura. O quarto abri a barriga num golpe. Todos, até o décimo primeiro, caíram. Então me virei para o último e disse a ele: “Vamos parar por aqui, se você quiser, senhor. É bom que você possa dizer em seu país como um velho soldado de Napoleão luta.” Surcouf me deu uma piscadela e esvaziou mais uma taça.

A.C.M.

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“DOIS BRAVOS E UM VELHO”

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Angoulême. França. Março de 2015.

Esses altões de bota preta acham que podem chegar aqui e arrasar com tudo? diz o velho antes de agarrar um rifle caído no chão, manchado de sangue. Nenhum soldado se opõe. Esse velho atira bem pra cacete!, diz um deles enquanto vê o outro sendo atingido. A gente morre, mas liberta esse pedaço de chão! A gente costumava jogar cartas aqui nessa praça. Olha! Olha! Os aviões estão chegando, tomara que tenham misericórdia dessa cidade mas, ouça bem, a gente reconstrói tudo, mon ami, pedra por pedra!

A.C.M.