AO REDOR DO COLISEU

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Roma. Itália. Fevereiro de 2017.

Caminho ao redor do Coliseu, o sol quente contrasta com o vento frio. É o fim do inverno. Aquele tigre já deve estar sentindo calor, penso. Mas ele encontra forças para avançar no gladiador distraído, que passava um papo na filha daquele nobre esnobe. Que estranho bicho de estimação! A francesa tão blasé se admira e eu quase perco de ver o pistoleiro americano puxando a máquina fotográfica na rapidez de um turista japonês. O romano gordinho solta o cigarro que tentava fazer enganar sua idade. Ninguém está vendo essas marcas de tiro? diz a professora responsável pela excursão da quinta série. Pouca gente lá em cima nota. Estão preocupados com as ruínas vazias da arena que tenta reaver sua glória.

A.C.M.

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UM ESTRIPADOR

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Londres. Inglaterra. Abril de 2017.

O beco ainda é sinistro. Escuro, isolado, mesmo no meio de tudo. As prostitutas passam esbarrando nas moças direitas que não tiram os olhos dos celulares. Os rapazes cansam de jogar olhares e palavras tortas para elas e investem pesado nos pints, que sempre os levarão a outros becos escuros. Ninguém nota a moça degolada cirurgicamente, caída num canto. Mas tiram fotos do grafitti que decora a escuridão. É então que um tipo soturno, de cartola cobrindo os olhos, passa por mim guardando algo dentro do sobretudo. Um reflexo das lamparinas amareladas incide no objeto. Pode até ser uma faca afiada, mas não há como saber, ainda que sejam bem visíveis, em suas mangas puídas, os respingos de sangue, e eu peço outra dose.

A.C.M.

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