AS AMARRAS DO GOLDEN HIND

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Londres. Março de 2017.

O elegante galeão parece entediado aqui, como se estivesse encalhado. Aqui, amarrado, amordaçado, sendo mostrado como um animal engaiolado a esses bêbados que disputam um lugar para observar os prédios sem vida e o rio murcho. Os turistas desavisados mal sabem que ele percorreu o mundo sobre as ondas e que sua fama ecoou tão forte pelos ventos do tempo que nem é ele mesmo quem está aqui, mas sua réplica. Entro no Golden Hind sem muitas expectativas, mas qual a minha surpresa quando sinto ele balançar entre as ondas, ouço gritos roucos e vejo os marujos acendendo os canhões enquanto Sir Francis Drake acorda em sua cama lá na popa. Participo de uma reunião tensa no escritório iluminado por lampiões e então já é tempo de desembarcar. Já indo embora, olho para trás e vejo Drake brindando com os bêbados do porto, e o Golden Hind já parece menos entediado.

A.C.M.

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