UM ESTRIPADOR

jack-baixa

Londres. Inglaterra. Abril de 2017.

Não é de carroça, como em 1888, mas de metrô que chego à estação de Whitechapel. Estranhamente, a primeira coisa que vejo ao sair pela calçada é uma mulher caída num canto. Uma moradora de rua. Já entro no clima sombrio da história. O bairro mudou muito mas ainda guarda uma certa decadência comparado a outros locais próximos. Guarda também os icônicos becos escuros que ainda sobrevivem sinistros mesmo nessa Londres do século XXI.

Num pedaço de papel levo os endereços dos locais onde ocorreram os crimes. Ainda é dia e eu ando pelas ruas e ruelas, encontro o local da morte da primeira, a segunda, a terceira vítima. Pode ser coisa da minha imaginação, mas todas as ruas parecem guardar o mistério da maldade do mais famoso serial killer da História, Jack o estripador.

A quarta vítima, como todas as outras, fora degolada, porém, no caso desta, na mesma noite da terceira, num assim chamado duplo assassinato. Já a última vítima, Mary Jane Kelly, a mais jovem, foi morta brutalmente em sua própria casa e não vou até lá. Já à noite, continuo o passeio com um guia local que me deixa na frente do famoso bar The Ten Bells, perto daonde seria a casa dela. O Ten Bells ainda guarda a fachada e o interior muito semelhantes à época dos crimes. Tomo uma taça de vinho branco no mal-iluminado andar de cima, após subir as velhas escadas que rangem. Mary Kelly costumava tocar seu violão e cantar com seu sotaque irlandês nesse mesmo bar e Jack provavelmente frequentava, via e ouvia a jovem, talvez sentado… aqui mesmo.

Já é tarde da noite quando faço o caminho de volta pelos becos cada vez mais arrepiantes. Passo na frente da casa da segunda vítima Annie Chapman, próximo ao mercado de carnes da época, local daonde costumavam sair inúmeros homens munidos de facas e sujos de sangue, fato que facilitava as fugas e camuflagem do assassino. Minha sombra me segue e não posso evitar olhar com atenção cada curva do caminho.

Muitas são as teorias sobre quem foi Jack o estripador. O que posso dizer é que o local em que ele atuava parece ser bem real, mesmo visto hoje. A Londres do século XIX era sem dúvida um local lúgubre e violento, onde as sombras da História esconderam muitas injustiças e muitos criminosos saíram impunes.

Continuo minha caminhada e chego finalmente na estação de Tower Hill. Pago o bilhete sempre caro e, ironicamente, entro num metrô com destino à estação de Baker Street.

A.C.M.

facebook.com/calimanviajando

DSC09768

Anúncios